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Sufrágio universal e luta de classes 2011/05/10

Posted by ViaBsb - Revista de Opinião in 1.
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O sonho infantil da comunidade acadêmica internacional e dos doentes mentais que tentaram levá-lo a cabo acabou em destruição e genocídio em todos os lugares onde tentaram.

E ainda hoje há quem queira começar de nôvo.

“A vã busca dos intelectuais por uma comunidade verdadeiramente socialista, que resultou primeiro na idealização de uma seqüência aparentemente interminável de ‘utopias’ – União Soviética, depois Cuba, China, Iugoslávia, Vietnam, Tanzânia, Nicarágua – para depois acabar na desilusão com todas elas, deveria ser suficiente para sugerir que há alguma coisa no socialismo que não bate com certos fatos”. Friedrich Hayek.

Para entender porque o sufrágio universal realmente representa a vontade do povo é preciso entender porque o povo em questão TEM de ser o povo que os comunistas ou anarquistas QUEREM que seja.

“Toda decepção com o sistema representativo está na ilusão de que um governo e uma legislação surgidos de uma eleição popular deve e pode representar a verdadeira vontade do povo. Instintiva e inevitavelmente, o povo espera duas coisas: a maior prosperidade possível combinada com a maior liberdade de movimento e de ação. Isto significa a melhor organização dos interesses econômicos populares, e a completa ausência de qualquer organização política ou de poder, já que toda organização política se destina à negação da liberdade. Estes são os desejos básicos do povo.”

Pense em uma eleição no Brasil, com 200 milhões de pessoas e com as diferenças regionais que tem e na Suécia, com pouco mais de 9.300.000 habitantes – 2009 – Fonte: Banco Mundial, Indicadores do Desenvolvimento Mundial, com as diferenças regionais que tem.

Certamente que um sufrágio universal na Suécia É mais representativo da vontade do povo.

O mesmo vale para a Inglaterra.

Mas isto não significa que o voto está errado, é a qualidade do voto – do povo eleitor – que faz a diferença.

Logo, o êrro não está no sistema de sufrágio universal, mas no fato que uma eleição de uma natureza realizada em diferentes locais vai produzir efeitos diferentes.Os efeitos não são derivados do sufrágio, mas das diferenças regionais do povo, ou do País, onde o voto é feito.

Pode-se dizer que se em um País existe uma Elite Dominante, um dos Projetos Nacionais e Objetivos Permanentes desta Elite é diminuir as diferenças regionais para promover uma superior qualidade de vida para cada habitante do País.

Instintiva e inevitavelmente, o povo espera duas coisas: a maior prosperidade possível combinada com a maior liberdade de movimento e de ação.

Logo, não há nada de errado no sufrágio universal, é errado aplicá-lo onde uma grande diferença de qualidade de vida torna uma maioria pobre senhora de uma minoria rica e dificulta a existência de uma Elite Dominante, na medida em a pobreza – e tudo que vem com ela – e seu contrôle passa a ser o objetivo político maior dos “políticos” – é onde a Elite se faz ausente – o que justifica a crítica ao sufrágio universal. Talvez se houvessem dois votos, um em cada nível de pobreza ou riqueza, poderia haver a melhor distribuição da qualidade dos votos, mas isto equivaleria a dois países.

Isto significa a melhor organização dos interesses econômicos populares, e a completa ausência de qualquer organização política ou de poder, já que toda organização política se destina à negação da liberdade.

Podemos entender, aqui, o desvio ideológico dos argumentos para um factóide que justifica a premissa que o autor quer colocar: a crítica ao sufrágio universal.

A afirmação que “toda organização política se destina à negação da liberdade” é a mentira que vem como argumento de fechamento de uma idéia que não foi posta, mas está “sendo concluída”, por esta mentira.

No caso de uma eleição em um local com uma Elite Dominante e de pouca ou nenhuma diferença regional, então as instituições políticas SÃO EXATAMENTE a expressão da vontade popular e se destina á AFIRMAÇÃO DA LIBERDADE, pois foram instituídas pelos eleitores.

“Estes são os desejos básicos do povo”

Esta mentira final garante que as premissas inicias sejam validadas, mas não critica a validade da conclusão, pois não conclui os argumentos propostos, apenas a conclusão desejada.

Os desejos básicos do povo não são êstes que o autor impõe que sejam, pois assim valida sua conclusão mentirosa, mas seriam aquêles que, em uma eleição sem ou com pouca diferença regional, o povo decidisse impor pelo voto.

De qualquer forma o sufrágio universal é o melhor método de decisão sôbre quem deve governar.

No entanto, quando o discurso mentiroso da dominação entra em cena: “Por mais democráticos que sejam seus sentimentos e suas intenções, atingida uma certa elevação de posto, vêem a sociedade da mesma forma que um professor vê seus alunos, e entre o professor e os alunos não há igualdade. De um lado, há o sentimento de superioridade, inevitavelmente provocado pela posição de superioridade que decorre da superioridade do professor, exercite ele o poder legislativo ou executivo. Quem fala de poder político, fala de dominação. Quando existe dominação, uma grande parcela da sociedade é dominada e os que são dominados geralmente detestam os que dominam, enquanto estes não têm outra escolha, a não ser subjugar e oprimir aqueles que dominam.” é natural que haja a superioridade a que se refere o autor, na medida em o próprio autor assume esta autoridade para publicar suas idéias e validar seus argumentos com uma conclusão que não tem relação com os argumentos que valida.

Logo, uma vez validada a afirmativa que o autor procura, com argumentos falaciosos, denunciar – pela própria autoridade que o autor impõe ao escrever – não há mais necessidade de provar que o autor está errado, uma vez que o próprio autor reconhece o êrro ao exercer a autoridade que denuncia.

Em uma sociedade civilizada, isto é, que segue normas e padrões de comportamento e autoridade, não se espera que todos sejam iguais, pois o fundamento, mesmo, da sociedade, é a existência de pessoas com mais ou menos autoridade, com mais ou menos dinheiro, com mais ou menos responsabilidade, com mais menos poder político, e não se pode esperar que não hajam de acôrdo com o mais ou menos que tenham: “Por mais democráticos que sejam seus sentimentos e suas intenções, atingida uma certa elevação de posto, vêem a sociedade da mesma forma que um professor vê seus alunos, e entre o professor e os alunos não há igualdade.”Numa sociedade civilizada TODOS sabem que devem seguir as regras que instituem as diferenças: “De um lado, há o sentimento de superioridade, inevitavelmente provocado pela posição de superioridade que decorre da superioridade do professor, exercite ele o poder legislativo ou executivo.” Êste “sentimento” de “superioridade” advém do FATO que esta pessoa É superior, pois tem uma RESPONSABILIDADE MAIOR do que os demais, assim, a RESPONSABILIDADE do professor é ENSINAR e a RESPONSABILIDADE dos alunos é APRENDER.

Logo, não é APENAS o “sentimento de superioridade” que faz a diferença entre as pessoas, mas as RESPONSABILIDADES que cada um têm.

Agora vem a mentira que valida os argumentos que não levam à conclusão desejada pelo autor: “Quem fala de poder político, fala de dominação.” Onde está a “dominação” se o sufrágio universal instituiu REALMENTE a vontade da maioria?

Lembre-mo-nos que a “maioria” é a diferença da contagem de votos entre pessoas com pouca ou nenhuma diferença ou desigualdade regional; populações de padrões de vida muito semelhantes e em um País que tem uma Elite Dominante, o que é de se esperar que aconteça assim como se espera que aconteça dentro da sala de aula: os alunos NÃO ensinam o professor.

O discurso da dominação é a mentira que sela a vontade do autor para validar as premissas cujos argumentos não levariam a esta conclusão.

Mas o autor quer “chegar na conclusão”, que êle já tem de ante-mão.

Agora a “conclusão” que é imposta mesmo sem ter qualquer argumento que aponte para ela: “Quando existe dominação, uma grande parcela da sociedade é dominada e os que são dominados geralmente detestam os que dominam”. Como não existe dominação, mas a vontade da maioria, os “dominados” não existem, pois foram derrotados em uma eleição justa entre duas ou mais opiniões, e portanto não “detestam” os vencedores do sufrágio universal, pois TODOS CUMPRIRAM as regras civilizadas com que decidiram viver em comunidade.  

A conclusão do autor é mais uma mentira para validar a premissa contrária à eleição por sufrágio universal.

Para validar a mentira da conclusão o autor fabrica um argumento que não aparece na argumentação para provar sua tese: “os que são dominados geralmente detestam os que dominam, enquanto estes não têm outra escolha, a não ser subjugar e oprimir aqueles que dominam”, criando do nada um ódio que os “dominados” têm contra os “dominantes” como se fôsse o único sentimento possível advir da vitória em um sufrágio universal e como se fôsse a única opção possível tornar-se opressor a partir do cumprimento de uma norma já aceita por todos.

Duas mentiras que não produzem a verdade que o autor busca em criticar o sufrágio universal. Tampouco o autor oferece qualquer alternativa para minimizar os efeitos de realizar sufrágio universal em populações com grandes diferenças regionais e em qualidade de vida, o que, claramente, oferece-se como evidência das dificuldades que o autor reconhece na aplicação de voto universal em populações com grandes diferenças regionais.

Porque o autor não analisou esta questão?

Porque não conduziria à conclusão que as duas mentiras que o autor inventou propiciaram a êle. Para entender como estas relações de poder existem devemos estudar o surgimento das relações inter-pessoais entre os sêres humanos desde os primórdios da existência do Homo Sapiens na Terra, o que nos conduz a uma viagem pela biologia, não pela ideologia: “Esta é a eterna história do saber, desde que o poder surgiu no mundo”, pois o “poder” não é uma “energia do universo” ou um “mal concebido pela classe dominante”, é apenas o fruto das diferenças entre machos e fêmeas-alfa em suas relações inter-pessoais.

Tôda relação entre sêres humanos é permeada pelo “poder”, pois é êste “poder” que permite que os machos-alfa sobrevivam e garantam a sobrevivência da sua prole.

Não se trata de uma questão ideológica, mas é vista sob o prisma ideológico porque o autor não conhece a origem das “relações de poder”, centrando o foco de suas críticas apenas às relações de poder em que uma ideologia possa ser identificada como uma “causa”.

Então, uma crítica ao poder poderá validar a proposta de natureza ideológica.

Mas isto não muda o que ocorreu milhões de anos atrás e nem altera o curso da evolução até o momento em que os homens que o autor analisa atuam.

Isto é, suas mentiras não mudam a realidade do fato: a relação de poder não é de natureza ideológica.

Se existe uma elite separada de seu povo “Separada como está do povo, por circunstâncias sociais e econômicas, como pode a burguesia expressar, nas leis e no governo, os sentimentos, as idéias, e a vontade do povo?” então êste povo não tem a uniformidade que valida o voto universal, sua diferenças devem ser superadas. Se os pobres vão assumir o poder político para superar as diferenças então teremos uma URSS, China, Cuba e outras aberrações econômicas e sociais e, como sempre, após sua destruição, não sobra nada para validar as premissas do autor.

Nos países de menor ou nenhuma diferença regional não ocorre a falta de representação que o autor identifica como “separação do povo”.

A Elite Dominante É o povo, foi eleita e vai assumir e cumprir com suas responsabilidades.

Certamente que o autor quer substituir a eleição pelo poder sobre-natural do comitê central do partido, para evitar o que identifica como “terminada a eleição, o povo volta ao trabalho, e a burguesia, a seus lucrativos negócios e às intrigas políticas”, sendo que isto é exatamente o que vai ocorrer quando somente os proletários votarem: vai haver a nomenklatura e o proletariado – os burguêses estatistas e os escravos – sim, escravos, pois não haverá mais nenhum direito civil individual para ser respeitado.Existem direitos humanos justamente porque há que tenha qualidade e responsabilidade para identificá-los e capacidade para fazer algo a respeito.

A má-fé do autor se torna clara e se esclarece quando cria – produz, falsifica – a “luta de classes” e insere o conflito entre as classes ao dizer que “Não se encontram e não se reconhecem mais. Como se pode esperar que o povo, oprimido pelo trabalho e ignorante da maioria dos problemas, supervisione as ações de seus representantes? “. 

Para o autor, TODOS os povos da Terra são incapazes de conviver em uma civilização sob a tutela de regras e leis e insere no discurso como prova final a incapacidade do povo em fiscalizar os representantes que escolheu. No caso de um país africano com tribos aborígenes os pressupostos não valem, pois todos têm o mesmo nível de ignorância e pobreza e são igualmente oprimidos pelos que governam. No caso de um país em que parcela da população esteja na mesma condição anterior mas outra parcela seja diferenciada – mais rica e culta – então o autor impõe a conclusão que deseja e produz a luta de classes e cria os dominadores.Finalmente, fabrica a conclusão que quer quando afirma que “Na realidade, o controle exercido pelos eleitores aos seus representantes eleitos é pura ficção, já que no sistema representativo, o controle popular é apenas uma garantia da liberdade do povo, é evidente que tal liberdade não é mais do que ficção.” pois deixa implícito que o contrôle dos eleitores sôbre o governante deveria ter um componente do poder que transferiu, isto é, como já elegeu, agora quer poder des-eleger para mostrar que não é dominado.

Mas se fizer isto não terá ninguém eleito e não terá governantes, o que inviabiliza o sistema de sufrágio universal não porque será errado, mas porque é a única forma de provar que não deve haver um sistema de escolha de líderes.

Como espera que a escolha de líderes repouse na escolha de um “igual”, não haverá o líder pelo simples fato que não há um líder entre iguais, somente iguais.

Esta é a definição de líder: é diferente, é superior e deve ser seguido pelos que o elegeram.No plano natural os machos-alfa impõem-se por sua superioridade física e intelectual, no plano civilizado pela capacidade de mostrarem à maioria que êle tem a capacidade que êles querem – e não têm – e que é capaz de assumir as responsabilidades que todos já demonstrarem não poderem ou não quererem assumir pelo simples fato de não serem candidatos.

Assim, no sufrágio universal os melhores são candidatos e são confirmados ou não pelos votos, e é isto que contraria o autor: êle não quer a responsabilidade para assumir a liderança, quer transferir tal responsabilidade para todos os demais.

Mas assim conseguindo produz uma sociedade sem líderes em que todos transferem as responsabilidades para outros, sucessivamente até uma cúpula – o comitê central do partido – de onde partem as ordens que já não foram ditadas por lideranças que nunca foram eleitas, para as pessoas que já abriram mão de cumprir com as reponsabilidades que todos sabem devem ser cumpridas.A batata quente fica pulando de mão em mão e ninguém assume a responsabilidade de decidir o que e como deve ser feito.

O texto de referência é apresentado abaixo para o caso da resposta não ser postada por motivos ideológicos, o que é natural, visto que a mentira é um mantra e prática política dos proletaristas:

  • “O Estado somos nós.
  • É verdade que a liberdade é preciosa – tão preciosa que precisa ser racionalizada
  • … a sociedade inteira se terá tornado um só escritório e uma só fábrica, com igualdade de trabalho e igualdade de salários”

Lênin

  • Em determinados momentos, as palavras podem ser factos.
  • Eu sempre achei mais fácil convencer uma grande massa do que uma só pessoa.
  • Somente um país inferior, ordinário, insignificante, pode ser democrático. Um povo forte e heróico tende para a aristocracia.
  • Quem não está pronto a morrer pela sua fé, não é digno de professá-la.
  • Não se pode colocar todos no mesmo nível. A igualdade é anti-natural e anti-histórica.
  • Somente obedecendo, somente tendo o orgulho humilde, mas sagrado, de obedecer, é que se conquista então o direito de comandar.
  • Fomos os primeiros a afirmar que, quanto mais complexas as formas assumidas pela civilização, mais restrita deve tornar-se a liberdade do indivíduo.

Mussolini


Artigo original:


“domingo, 2 de março de 2008
A Ilusão do Sufrágio Universal – Mikhail Bakunin
Os grandes escritos anarquistas. Porto Alegre, L&PM, 1986, pp. 98-100. (grifo meu)
Os homens acreditavam que o estabelecimento do sufrágio universal garantia a liberdade dos povos. Mas infelizmente esta era uma grande ilusão e a compreensão da ilusão, em muitos lugares, levou à queda e à desmoralização do partido radical. Os radicais não queriam enganar o povo, pelo menos assim asseguram as obras liberais, mas neste caso eles próprios foram enganados. Eles estavam firmemente convencidos quando prometeram ao povo a liberdade através do sufrágio universal. Inspirados por essa convicção, eles puderam sublevar as massas e derrubar os governos aristocráticos estabelecidos. Hoje depois de aprender com a experiência, e com a política do poder, os radicais perderam a fé em si mesmos e em seus princípios derrotados e corruptos.
Mas tudo parecia tão natural e tão simples: uma vez que os poderes legislativo e executivo emanavam diretamente de uma eleição popular, não se tornariam a pura expressão da vontade popular e não produziriam a liberdade e o bem estar entre a população?
Toda decepção com o sistema representativo está na ilusão de que um governo e uma legislação surgidos de uma eleição popular deve e pode representar a verdadeira vontade do povo. Instintiva e inevitavelmente, o povo espera duas coisas: a maior prosperidade possível combinada com a maior liberdade de movimento e de ação. Isto significa a melhor organização dos interesses econômicos populares, e a completa ausência de qualquer organização política ou de poder, já que toda organização política se destina à negação da liberdade. Estes são os desejos básicos do povo.
Os instintos dos governantes, sejam legisladores ou executores das leis, são diametricamente opostos por estarem numa posição excepcional.
Por mais democráticos que sejam seus sentimentos e suas intenções, atingida uma certa elevação de posto, vêem a sociedade da mesma forma que um professor vê seus alunos, e entre o professor e os alunos não há igualdade. De um lado, há o sentimento de superioridade, inevitavelmente provocado pela posição de superioridade que decorre da superioridade do professor, exercite ele o poder legislativo ou executivo. Quem fala de poder político, fala de dominação. Quando existe dominação, uma grande parcela da sociedade é dominada e os que são dominados geralmente detestam os que dominam, enquanto estes não têm outra escolha, a não ser subjugar e oprimir aqueles que dominam.
Esta é a eterna história do saber, desde que o poder surgiu no mundo. Isto é, o que também explica como e porque os democratas mais radicais, os rebeldes mais violentos se tornam os conservadores mais cautelosos assim que obtêm o poder. Tais retratações são geralmente consideradas atos de traição, mas isto é um erro. A causa principal é apenas a mudança de posição e, portanto, de perspectiva.
Na suíça, assim como em outros lugares, a classe governante é completamente diferente e separada da massa dos governados. Aqui, apesar da constituição política ser igualitária, é a burguesia que governa, e é o povo, operários e camponeses, que obedecem suas leis. O povo não tem tempo livre ou educação necessária para se ocupar do governo. Já que a burguesia tem ambos, ela tem de ato, se não por direito, privilégio exclusivo. Portanto, na Suíça, como em outros países a igualdade política é apenas uma ficção pueril, uma mentira.
Separada como está do povo, por circunstâncias sociais e econômicas, como pode a burguesia expressar, nas leis e no governo, os sentimentos, as idéias, e a vontade do povo? É possível, e a experiência diária prova isto. Na legislação e no governo, a burguesia é dirigida principalmente por seus próprios interesses e preconceitos, sem levar em conta os interesses do povo.
É verdade que todos os nossos legisladores, assim como todos os membros dos governos cantonais são eleitos, direta ou indiretamente, pelo povo.
É verdade que, em dia de eleição, mesmo a burguesia mais orgulhosa, se tiver ambição política, deve curvar-se diante de sua Majestade, a Soberania Popular. Mas, terminada a eleição, o povo volta ao trabalho, e a burguesia, a seus lucrativos negócios e às intrigas políticas. Não se encontram e não se reconhecem mais.
Como se pode esperar que o povo, oprimido pelo trabalho e ignorante da maioria dos problemas, supervisione as ações de seus representantes? Na realidade, o controle exercido pelos eleitores aos seus representantes eleitos é pura ficção, já que no sistema representativo, o controle popular é apenas uma garantia da liberdade do povo, é evidente que tal liberdade não é mais do que ficção”

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